Fátima Mourão sempre foi uma admiradora do trabalho de dublagem, porém, aos 17 anos, estava focada em se tornar atriz, investindo em teatro e TV. E através de um amigo, fez testes na empresa de dublagem Peri Filmes (Rio de Janeiro), mesmo pensando que não aconteceria nada de mais, foi surpreendida com sua aprovação. Mas como ficou sabendo que os dubladores estavam em greve por melhores salários e condições de trabalho, percebeu que a empresa estava apenas tentando contornar a situação contratando um novo elenco para substituir o anterior, por isso não aceitou a proposta.
Por várias vezes foi procurada, mas recusou, dizendo que, mesmo precisando, não aceitaria um emprego que prejudicasse a sobrevivência de outros colegas de profissão. Após uma semana, o filho do dono da empresa, foi em sua casa enviar uma carta que dizia que a greve havia terminado; os atores estavam na ativa, e que ele contava com sua participação. Fátima aceitou o emprego, e segundo ela “não poderia mais resistir ao chamado do destino”.
Seu primeiro personagem foi na Peri filmes mesmo. Seu nome era “James”, um garoto de 14 anos que fazia sucesso entre as garotas de seu colégio. Fátima achou a experiência muito boa, o que lhe rendeu vários personagens masculinos por um tempo.
Fátima dublou alguns personagens, que não são muito citados, porém marcantes para ela, como por exemplo: “Uma secretária do futuro”, uma comédia romântica; “Novela” outra comédia, por Sally Field; Dublou também uma série sobre Balé Clássico, onde ela interpretava uma senhora de 60 anos, experiência mais comum em desenhos, da qual ela diz adorar fazer; esta experiência foi uma investida da diretora Ângela Bonatti (na época, Herbert Richards), que acreditou em sua capacidade e surpreendeu a própria Fátima com o nível de sua voz.
Fátima dublou também a personagem She-Ra, que ela adorou fazer. Seus filhos e sobrinhos estavam pequenos na época, e ela curtiu bastante o trabalho; onde ela fez parceria com Garcia JR, que ela considera um excelente profissional e um ótimo amigo, a quem ela acompanhava com seus pais à Herbert Richards, para assisti-los ou até mesmo para dublar também. Seu trabalho com JR rendeu várias entrevistas em Jornais e Programas de TV como Xuxa e outros. Fátima diz que dublar She-Ra/Adora foi uma experiência muito interessante, por ela ter que fazer Adora como princesa e She-Ra como super heroína; o que ajudou a aprimorar suas habilidades. Ela diz ter se familiarizado de tal forma com a série, que entrava no estúdio como entrava em casa, se sentindo à vontade e confortável.
Atualmente, Fátima vive em Brasília, mas não negligenciaria trabalhos em São Paulo ou Rio de Janeiro, pois além de ter família ela adoraria trabalhar nessas cidades novamente.
Fátima algumas vezes se viu em situações engraçadas, como quando encontrou uma fã que reconheceu sua voz em frente à floricultura da mãe e fez um belo desconto na compra de algumas flores, como Fátima afirmou entre risos.
Ela também dublou Trinity, de Matrix, na versão para TV, já o DVD foi gravado no rio de Janeiro, na empresa De L’Art.
Fátima, ao contrário do que dizem alguns fãs, alegou não ter parado de dublar, como foi o caso de Matrix. Ela se casou com um jornalista, e tem a vida estabelecida em Brasília, e como ela teve de fazer uma escolha, preferiu o marido; mas sempre que é solicitada, está à disposição de empresas de dublagem. Diz também que espera que isso nunca deixe de acontecer. Fátima diz não ter parado; ela apenas reduziu o ritmo do trabalho. Está sempre à disposição e espera que novas propostas continuem surgindo.
Fátima Mourão tem planos de interpretar em uma peça infantil escrita por seu marido Ruy Fabiano Rabello e dirigida por sua enteada Júlia Rabello, e promete avisar assim que possível o lançamento da peça.
Texto por: Dieyson Gomes Revisão por: Nimory de Oliveira