O anime de Saint Seiya foi produzido pela Toei Animation, de 1986 a 1989, contando com 114 episódios divididos em três sagas (Santuário, Asgard e Poseidon). Mesmo assim, a série não estava completa, pois o mangá só foi terminar em 1990, fazendo com que a saga de Hades ficasse restrita ao mangá. Os fãs espalhados por todo o mundo aguardaram pacientemente a continuação da série e eis que em 2002 a Toei surgiu com a brilhante ideia de animar tais capítulos no formato OVA.
A notícia era excelente, afinal a qualidade de uma série nesse formato é fantástica, sem comparações com a versão feita para a televisão. Tinha tudo pra ser perfeito. Repetindo: TINHA. Sem dúvida, os fãs mereciam algo melhor, principalmente depois de aguardar 13 anos para ver algo...Tão simples (Refiro-me a duas fases: Inferno e Elísios).
Um começo empolgante...
A Toei demorou, mas quando os primeiros OVAs de Hades foram lançados em meados de novembro de 2002, tudo estava formidável. O character design ainda continuou nas mãos de Shingo Araki, ou seja, os personagens não sofreriam drásticas mudanças visuais (Como em Beyblade, por exemplo). A abertura japonesa cujo nome é "Chikyuugi" ficou a cargo da experiente Yumi Matsuzawa e foi interpretada pela doce voz de Larissa Tássi, aqui no Brasil.
A animação do capítulo do Santuário não faz feio perante os atuais animes, mesclando técnicas tradicionais e efeitos em CG. Fica evidente o cuidado que o estúdio teve para animar e somo presenteados com episódios excelentes, com uma boa narrativa inclusive. Ainda existem algumas diferenças com relação ao mangá, mas nada exagerado.
Além das qualidades da produção, essa primeira parte é sensacional, uma das melhores de todo o mangá. Finalmente um inimigo digno é apresentado, velhos conhecidos retornam, o maior destaque é dado aos cavaleiros de ouro, sem mencionar que ver o golpe proibido pela própria deusa Atena em anime é incrível. Foram 13 episódios de babar, no entanto tivemos que esperar mais um período para ver o temível inferno.
Do céu ao inferno
A continuação prometia, tanto no enredo como na parte técnica. Nesse ponto (Capítulo do Inferno), a saga de Hades fica mais interessante e quando você está lendo o mangá não dá vontade de parar, principalmente quando personagens como os juízes (Kyotos) Radamanthys, Minos e Aiacos aparecem. É emocionante. Felizmente, o enredo fez a sua parte e mesmo com algumas diferenças, a Toei adaptou muito bem o mangá. A nova abertura, "Pegasus Forever", lembra as antigas da série, pois tem um toque mas animado do que "Chickyuugi", sendo que a tradução para o português também foi ótima.
Para a infelicidade dos fãs, a animação não manteve o mesmo nível do capítulo do Santuário. Não estou falando dos gráficos, mas sim dos efeitos em lutas, paisagens entre outros. Tudo ficou pobre, simples demais, sem emoção. As cenas em CG sumiram e as lutas perderam o certo esmero que possuíam, sem mencionar que existem alguns momentos que a Toei fez sem o menor cuidado como erros na edição de cenas e buracos no roteiro. Isso não é culpa do Masami Kurumada, é do próprio estúdio, simplesmente vergonhoso para uma empresa que não é novata e tem muita tradição nesse segmento. O Capítulo do Inferno teve 12 episódios.
Pelo menos ainda existia um pouco de esperença no grande final da epopéia dos Cavalairos de Atena. O capítulo Elísios foi anunciado para fevereiro de 2008, com apenas 6 episódios. O orçamento não foi divulgado, mas seria o mesmo do capítulo anterior e como a quantidade de episódios dessa nova leva era menor, a animação poderia fechar com chave de ouro as últimas batalhas da franquia. Não foi bem assim. A Toei fez tudo exatamente igual ao Capítulo do Inferno e a saga de Hades terminou de um jeito simples, diferente do mangá (Muito mais emocionante).
Desvendando o fracasso do anime
Quando um anime é produzido diretamente para o mercado de vídeo, ele é considerado um OVA (Original Video Animation). O motivo de tanta euforia é que uma série lançada nesse formato tem inúmeras virtudes, dentre as quais posso destacar a alta qualidade da produção, a ausência de censura (Sim, existe censura até mesmo no Japão!) e não existe a menor possibilidade de fillers serem inseridos, pois a periodicidade não é mensal. Com tantos trunfos, fica difícil entender como tudo ficou "sem sal" a partir do capítulo do Inferno.
A Toei Animation não deu satisfações aos fãs e até hoje esse mistério permanece. Houve restrição de orçamento? Sinceramente, não consegui encontrar isso enquanto pesquisava, mas o importante é que a série não teve um final digno no anime. Seria melhor poupar a grana usada no filme "Prólogo do Céu" e fazer algo melhor nos OVAs, sem mencionar que o bendito filme ainda não foi concluído.
Por isso você deve estar se perguntando: Então é melhor acompanhar essa saga no mangá? Sim! Até porque é a história original, empolga e emociona, sem mencionar que o Kurumada caprichou nessa fase, tanto no traço como no enredo. Ou se preferir, dê uma olhada nos OVAs do Capítulo do Santuário e depois disso, vá para o mangá. A franquia saiu completa por aqui graças a Conrad. Realmente não vale a pena pagar preços exorbitantes para ver Inferno e Elísios.